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Podemos definir o balanceamento, como sendo a “operação que elimina os desequilíbrios existente nas rodas, pela colocação de pesos nas suas partes mais leves para compensar as partes mais pesadas. Desta forma, quando essa roda girar, a força centrifuga atuará com a mesma intensidade em todos os pontos do seu eixo de rotação”. Complicado? Então vamos por partes.

Se suspendermos um veículo, afastando suas rodas do chão, girarmos qualquer uma das rodas com as mãos por várias vezes, e aguardarmos que ela pare por si, no caso de estar equilibrada, ela deverá parar com qualquer de seus pontos voltados para baixo. Mas se acontecer o fato da mesma parar sistematicamente com um só ponto voltado para baixo, é porque nesse ponto ela está mais pesada, como indicado na figura acima pela letra “A”.

Forças atuantes

A roda de um automóvel pode chegar a uma rotação maior que 40 voltas por segundo, e se mantém exposta a uma força centrifuga que pode ser centena de vezes maior que o seu próprio peso. No caso dessa mesma roda estar devidamente equilibrada, essa força se distribuirá uniformemente, atuando igualmente em todos os pontos de sua circunferência e estes pontos se equilibram reciprocamente; porém, esse equilíbrio dificilmente é conseguido naturalmente, seja devido a fatores de construção do pneu, confecção do aro da roda, posição da válvula do pneu no aro da roda, além de outros fatores causados pela utilização do veículo, que estão ligados aos desgastes irregulares provocados pela rodagem.

Perda de material

Se por exemplo, forem eliminadas alguns gramas de um ponto específico da banda de rodagem de um pneu (como no travamento das rodas pela ação dos freios) fazendo com que o pneu sofra um desgaste localizado, a força centrífuga que atuará do lado oposto, deixa de ser compensada e, essa força de alguns quilos em determinadas rotações da roda aparecerá em forma de vibração, atuando em todo o sistema de suspensão a que essa roda estiver ligada, essa interferência também irá ser sentida na direção e nos próprios pneus. Esta vibração é altamente prejudicial à durabilidade de todos os componentes do sistema a que está ligada e também pode comprometer significativamente a estabilidade do veículo.
Somente como parâmetro, é bom lembrarmos que se forem eliminados algo como “50 gramas” de borracha de algum ponto da banda de rodagem de um pneu, quando o veículo atingir uma velocidade de 70 km/h, o desequilíbrio será algo em torno de “40 quilos”.

Equilíbrio

A forma utilizada para equilibrar “estaticamente” uma roda é colocado-se um peso de igual intensidade ao do ponto mais pesado, exatamente no lado oposto da roda. Esse equilíbrio estático leva em conta as forças centrífugas (desequilíbrio de peso), que provocam trepidações; no caso, são equilibrados os momentos em relação ao eixo de rotação, como demonstrado na figura abaixo pelas letras “A” e “B”.
Contudo, apesar de equilibrada estaticamente, uma roda, quando colocada em rotação, pode apresentar um desequilíbrio “dinâmico”, porque os pesos não estão levando a força centrifuga ao centro de giro da roda com a mesma intensidade. Isto somente aparece quando essa roda atingir um certo número de rotações.
Nesta figura, está indicado o ponto mais pesado da roda, identificado como “A”.
Na figura seguinte podemos observar uma forma de equilíbrio “estático”, efetuado com uma massa (peso) identificado como “B”, igual a do ponto “A”. Isto irá equilibrar a roda de forma estática.
Se girarmos essa roda com a mão, ela irá parar em qualquer posição, satisfazendo o equilíbrio estático. Mas é importante observar que os pesos estão atuando em pontos diferentes em relação ao eixo de giro da roda, causando um desequilíbrio “dinâmico”, que somente aparece quando a roda estiver em rotação, devido aos pontos “f” não coincidirem no mesmo ponto do eixo de giro da roda.

Como resultado desse desequilíbrio “dinâmico” a roda irá vibrar lateralmente quando atingir uma alta rotação, causando vibrações no sistema de suspensão e, se estiver montada na dianteira do veículo, também fará vibrar a direção, da mesma forma que um desequilíbrio estático.

Para ajustar esse desequilíbrio é preciso que os pontos de força “f” estejam em equilíbrio com o centro de giro da roda. Isto é feito dividindo-se em dois (“B” e “C”) o peso necessário para o equilíbrio “estático”, posicionando-os um pelo lado externo e o outro pelo lado interno do aro da roda, ajustando os valores desses pesos, de forma que suas massas façam as forças “f” se situarem no centro de giro da roda.

O desequilíbrio que atua nas rodas ligadas à direção causam uma vibração no volante de direção, conhecido como “shimmy de direção”. Quando o desequilíbrio acontece nas rodas não ligadas à direção, causam uma vibração que é transmitida a todo o chassis do veículo. Nos dois casos a dirigibilidade do veículo fica comprometida, além do desgaste prematuro dos pneus e dos componentes da suspensão e da direção.


O balanceamento das rodas deve ser verificado periodicamente, porque além do desgaste normal dos pneus que alteram os pontos de equilíbrio das rodas, existem os acidentes eventuais como a fricção no arrasto dos pneus causado pelo uso inadequado dos freios, ou como o “esfregar” de rodas em guias ou na passagem em buracos, que podem ocasionar a perda dos pesos existentes (principalmente os externos), desequilibrando prematuramente as rodas.
Essa perda pode não ser percebida, mas a vibração irá ocorrer, porém, de acordo com a sua intensidade (se for pequena), o motorista poderá não perceber o fato, mas os desgastes estarão ocorrendo.
Pelo exposto, vê-se que não adianta efetuar somente um balanceamento estático das rodas, mas também é preciso observar o balanceamento dinâmico e, se possível, com a roda montada no eixo em que está trabalhando, porque pelo balanceamento será compensado qualquer outro desequilíbrio causado pelos componentes montados nesse eixo tais como tambor ou disco de freio, semi-eixos e outros.

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