Morte
negra / Jornal o Globo / Rio, 11 de agosto de 2004..........
Jason Vogel
Batidas
estranhas começam a vir do motor. Não há como manter
o carro funcionando em marcha lenta e válvulas presas
fazem o carro ratear. São sinais de que a morte negra
pode estar rondando seu automóvel.
Do fim dos anos 90 para cá, o problema
vem se tornando cada vez mais comum: o óleo do motor
vai se transformando numa graxa preta e grudenta (como
se vê na foto desta página). No fim, ela endurece e
ganha consistência de piche. Sem lubrificação, peças
vitais são danificadas e a conta na oficina nunca é
pequena.
Teorias há muitas, mas falta um consenso
sobre as causas desta peste automobilística. Mecânicos,
fabricantes de carros e engenheiros de lubrificantes
apontam várias raízes para o problema. Sejam quais forem
os motivos, é possível se precaver contra este mal seguindo
alguns conselhos simples.
Solvente faz lubrificante virar um
chiclete
Uma unanimidade é apontar a gasolina batizada como uma
das causas para a formação da borra. Com a adulteração,
o combustível não queima totalmente e sobram resíduos
dentro da câmara de combustão. Ocorre então a chamada
lavagem: tanto o combustível não queimado quanto as
impurezas acabam passando pelos anéis de segmento e
chegando ao cárter.
— Em contato com o solvente usado para
adulterar a gasolina, o óleo vai ganhando consistência
elástica, como uma borracha — explica Cláudia Cavadas,
gerente de serviços técnicos da Castrol.
Mesmo que não haja solvente, usar
gasolina misturada com muito álcool pode levar à contaminação
do óleo. Até um motor desregulado, com bicos entupidos
ou queimando uma mistura ar-combustível muito rica,
pode acelerar a oxidação do lubrificante. Para manter
os bicos limpos, use sempre gasolina aditivada.
— Um conselho é abastecer sempre que
possível em um posto conhecido, onde haja controle do
combustível — diz Luiz Fernando Lastres, engenheiro
do centro de pesquisas da Petrobras.
Outro vilão é o espaço muito longo
entre as trocas de óleo. Lubrificantes submetidos constantemente
ao pára-e-anda do trânsito urbano, ou usados em motores
que são sempre desligados antes de chegar à temperatura
normal de funcionamento, são especialmente sacrificados.
O problema é que os fabricantes de automóveis foram
aumentando os períodos de troca, e os motoristas da
cidade grande geralmente não sabem que fazem um uso
severo do carro.
— O ideal é trocar a cada sete mil
ou, no máximo, dez mil quilômetros — aconselha um técnico
que trabalha na produção de lubrificantes.
Quem tem o hábito de completar o óleo
mas demora a trocá-lo é forte candidato a ter prejuízos
com a lama negra.
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