A causa
é incerta, mas troque o óleo/Rio, 11 de agosto de 2004......
O
mecânico Gilmar de Souza Santos tem visto muitos casos
de formação de borra em carros de clientes. Para ele,
a solução prática é abreviar as trocas de óleo. Ele
cuida de uma frota de cerca de 50 carros da Universidade
Rural e diminuiu o prazo de troca para cada cinco mil
quilômetros, sempre usando lubrificantes de boa especificação
(SJ ou SL).
— Desde que começamos a fazer isso,
nunca mais houve problema. Os motores estão sempre limpos
— relata Gilmar.
Ele conta que, em palestras técnicas
dadas a mecânicos, fabricantes de óleo têm aconselhado
a troca precoce para evitar problemas.
Por outro lado, as montadoras parecem
estar confiantes de que os motoristas sempre seguirão
os tempos de troca corretos e usarão, por exemplo, óleos
sintéticos recomendados em alguns manuais. A Renault,
por exemplo, já fala em períodos de 20 mil quilômetros.
A Fiat, que até 1996 pregava a troca
a cada 10 mil quilômetros, subiu o intervalo para 20
mil quilômetros quando passou a usar óleo semi-sintético.
Este ano, porém, baixou o período para 15 mil quilômetros
em uso leve (rodar principalmente em estrada livre)
ou a cada ano, o que vier primeiro. Se o carro tiver
o chamado “uso severo”, ou seja, o congestionado trânsito
da cidade, deve-se cortar o prazo pela metade.
— Antecipando, o motorista vai verificar
as condições do óleo antes. Se algo estiver errado,
ele perceberá a tempo — diz Carlos Henrique Ferreira,
assessor técnico da Fiat.
Outro cuidado é substituir o filtro
de óleo a cada troca do lubrificante.
— O filtro é como se fosse o rim do
automóvel — compara Wanderley Mencarini, da oficina
Street Car, que só na semana passada recebeu três carros
com o problema.
Wanderley conta que muitas vezes o
filtro chega a ficar pesado de tanta borra que se acumula.
Depois, os resíduos começam a passar para o motor.
Sem lubrificação, comandos de válvulas
e cabeçote são severamente danificados. Também é preciso
trocar a bomba de óleo e fazer uma limpeza. Mesmo em
carros baratos, a conta pode superar R$ 2 mil.
Um dos novos motivos apontados para
a formação da borra é que motores 1.0 ou de projeto
moderno geralmente trabalham com o óleo mais quente,
o que acelera a oxidação. O blow by (dispositivo que
força a recirculação de gases cárter pelo cabeçote)
também é tido como causador da lama negra.
— Estudamos muito a temperatura de
funcionamento ao projetar um motor e não há nenhum que
trabalhe tão quente a ponto de alterar o óleo — nega
Carlos Henrique.
A mistura de lubrificantes (sintéticos
com minerais, por exemplo, ou de marcas diferentes)
não é recomendada. Fabricantes de óleo, no entanto,
garantem que a química das diversas marcas e tipos que
há no mercado não é incompatível. Há quem não acredite.
— Na Itália houve muitos casos de formação
de borra anos atrás e descobriram que o problema era
a mistura — conta Alfredo Migani, veterano representante
da Alfa Romeo no Rio.
Na dúvida, o melhor é não misturar
e, principalmente, não usar óleo de segunda linha ou
de marcas desconhecidas.
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