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O Barato Que Sai Caro ......
Por Boris Feldman
borisfeldman.mg@dabr.com.br
Nova modalidade de picaretagem. Depois de indeciso entre tantos modelos disponíveis, o cliente realiza finalmente o sonho do carro zero-quilômetro. O usado entra por um valor compatível e a concessionária faz um preço razoável pelo novo. E, apesar de mais barato que o concorrente, o vendedor confirma a vantagem oferecida no anúncio: garantia de cinco anos, sinônimo de tranquilidade a longo prazo.
Mas nosso cliente nem imagina que é exatamente nessa vantagem adicional que está o pulo do gato. Qual é a trapaça?
O carro custa um pouco menos que seus concorrentes, mas, para fazer jus à cobiçada garantia de cinco anos, tem que ser levado às concessionárias a cada 10 mil quilômetros para uma revisão “obrigatória”. Ou seja, se não fizer as revisões, a garantia não é honrada.
Acontece que quase ninguém, ao comprar um automóvel novo, pergunta qual é o custo das revisões. E nem imagina que seu valor vai subindo em progressão geométrica: o susto não é grande na primeira, mas na última...E, ao fim dos cinco anos, pode representar uma facada que chega a 20% do preço do carro zero.
A palavra “garantia” é mágica, e sua extensão por cinco anos é argumento definitivo para convencer o cliente. Mas os fabricantes usam de vários recursos para enganar o mercado.
O primeiro e mais manjado é alongar o prazo da garantia, mas cobrar por ela, aumentando o custo das revisões. O segundo e mais sofisticado é o que faz o consumidor pagar não só pela garantia, mas também pelo preço “mais em conta”.
Alguns fabricantes perceberam que o brasileiro sentiu o drama e a mão sendo enfiada no seu bolso. E elaboraram tabelas com o custo das revisões obrigatórias. Mas várias concessionárias não as respeitam e sempre tentam empurrar uma limpezinha de bico, do corpo da borboleta, uma cristalização da pintura...
No frigir dos ovos, a tabela anunciada pelo fabricante é apenas um chamarisco para atrair cliente. Se ele não souber se defender, a conta da revisão dobra ou triplica.
Dica: existe no mercado a possibilidade de se pagar para estender a garantia original. Se você está interessado num carro, mas preocupado com as despesas de manutenção pois a fábrica só o garante durante um ano, pegue lápis e papel. Veja quanto custa a extensão do prazo para três ou cinco anos. E se o custo final ainda não é inferior ao do modelo concorrente que tem a “vantagem” dos cinco anos de garantia.
Em resumo, tome cuidado pois o carro “baratinho”, somados os custos das revisões, acaba pesando mais no bolso do que o concorrente... “mais caro”.
Fonte: Correio Braziliense - Brasília, quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
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